Dakar 2016: O ano da nova geração

Toby Price é campeão do Dakar 2016 - Foto: Rally Dakar

Toby Price é campeão do Dakar 2016 – Foto: Rally Dakar

Depois de 9.319 quilômetros, chega ao fim mais uma edição do Rally Dakar. Com a ausência de Marc Coma e Cyril Després, a grande dúvida no início da prova era em relação ao novo vencedor, depois de toda uma era de domínio dos dois experientes pilotos, vencedores por dez edições consecutivas. Quem seria o novo número 1 do Dakar? Um piloto da nova geração ou um piloto experiente?

No começo, o espanhol Joan Barreda Bort, da nova geração, começou a se impor, mas problemas mecânicos o tiraram da disputa. O experiente Paulo Gonçalves assumiu o papel de protagonista da prova e teve um momento de admiração geral quando parou para socorrer um adversário. Mas o Português também ficou pelo caminho, apesar da experiência. Primeiro teve o radiador furado por um arbusto e depois sofreu uma queda que o tirou definitivamente da prova.

Enquanto isso alguns pilotos da nova geração imprimiam forte ritmo e surpreendiam. O argentino Kevin Benavides, apesar de não figurar em uma equipe oficial e nem nas listas de favoritos, mostrou a que veio desde as primeiras etapas, mesmo estando em seu primeiro Dakar. O argentino já começou a se impor desde o início da competição. Stevan Svitko, que também não fazia parte de uma equipe oficial, também vinha sempre em bom ritmo, demonstrando regularidade e rapidez ao longo da prova.

Com um começo a principio bastante modesto para quem é pentacampeão mundial de enduro, Antoine Meo foi pegando o jeito da prova durante a competição e no fim estava sempre entre os primeiros e vencendo etapas. Pena que um tombo na penúltima etapa resultou em uma lesão em uma das mãos e teve que terminar a prova na raça, abrindo mão do terceiro lugar do pódio.

Quem se aproveitou mesmo foi o australiano Toby Price, que soube acelerar na hora certa e poupar o equipamento quando necessário. Apertava o ritmo quando dava e dosava o acelerador quando preciso, como nas etapas Maratona, em que se preocupou mais em terminar com o equipamento perfeito, sem no entanto ficar pra trás. Foi o piloto que mais soube dosar o acelerador e por isso chegou nas últimas etapas dando-se ao luxo de administrar a prova. Ao final, teve-se até a impressão de que a vitória foi fácil, mas uem acompanhou o Dakar todos os dias sabe que foi preciso muita habilidade e muita cabeça para conquistar essa vitória. Em sua segunda participação no maior Rally do mundo, o australiano Toby Price é o novo número 1 do Dakar!

Essa edição, que teve a “mão” de Marc Coma na definição do roteiro, foi cruel para muitos pilotos. E por incrível que pareça, os experientes ficaram para trás. Vitória da juventude e belíssima atuação dos novatos! Basta dizer que entre os dez primeiros, quatro estão no Dakar pela primeira vez!

É incrível ser o primeiro australiano a vencer um Dakar.
“Não sei o que dizer e nem o que pensar… ainda não acredito. Nunca pensei que seria possível ganhar esta prova em minha segunda participação. Dedico esta vitória a minha família, aos meus amigos,meus fãs, a todos que me apoiam na Austrália. É incrível! Não poderia ter imaginado isso dois anos atrás. Acabar essa prova já é uma vitória, vencer é incrível. Encarei essa prova com atitude de um australiano, ataquei quando precisava, quando era o momento, e cuidei da moto nas etapas maratona, que são muito importantes. Também cuidei bastante da navegação. Espero que isso seja apenas o princípio e que eu possa ganhar mais vezes. Sei que não vai ser fácil, então só penso em saborear essa vitória!”, comemorou o australiano Toby Price, logo após conquistar o maior Rally do mundo.

Brazucas

Adrien Metge foi o 11° colocado em sua primeira participação - Foto: Honda Racing Brasil

Adrien Metge foi o 11° colocado em sua primeira participação – Foto: Honda Racing Brasil

Adrien Metge e Ian Blythe estrearam no Dakar. Adrien mora há dois anos no Brasil e faz parte da Equipe Honda de Rally, e correu o Dakar pela equipe Honda South America. A principio mochileiro de Jean Azevedo, teve liberdade para impor seu ritmo a partir do momento que o brasileiro abandonou a competição. Cresceu muito na segunda semana de prova e fecha o Rally com um extraordinário 11° lugar na classificação geral. Depois de conquistar o campeonato brasileiro de rally e o Rally dos Sertões, foi coroado no maior Rally do Mundo.

Já Ian Blyte, Campeão Brasileiro de Enduro 2015 e piloto da Equipe Orange BH KTM, estreou no Dakar em uma equipe mais modesta e com equipamentos inferiores em relação a turma da frente. Sem a experiência necessária nesse tipo de competição e com menos experiência ainda na navegação, apanhou bastante no começo da prova. Mas vinha subindo de ritmo e chegou a fazer um oitavo lugar em uma das etapas. Conseguir figurar entre os dez primeiros em uma etapa foi incrível para o jovem piloto que tem um belo futuro na modalidade. Pena que ficou sem combustível em uma das etapas finais, a apenas 12 kms do ponto de abastecimento. Ainda assim, finalizou em um excelente 26° lugar na prova.

Ian Blythe finalizou em 26° lugar - Foto: Arquivo Pessoal

Ian Blythe finalizou em 26° lugar – Foto: Arquivo Pessoal

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