Para o alto e avante! – Porque se criticamos quando algo não vai bem, temos obrigação de enaltecer um bom trabalho

Parque Fechado - Aracruz/ES

Parque Fechado – Aracruz/ES

Faz tanto tempo que se cobra da CBM uma maior atenção às diversas categorias – que não o motocross -, que, para muitos, o assunto possa até parecer chato. Talvez até pela repetição de histórias e erros, as cobranças sempre são as mesmas.

Parque Fechado - Aracruz/ES

Parque Fechado – Aracruz/ES

Mas, dessa vez, mudaremos um pouco o tom da conversa. Porque enquanto algumas modalidades parecem não evoluir no Brasil – ou pior, até retroceder – outras caminham a passos largos e com crescimento cada vez maior e consistente. Não é de hoje que temos acompanhado a evolução do Enduro, com um crescimento constante e sólido. Não estou falando do “Regularidade”, falo aqui do “Enduro FIM”, conhecido assim no Brasil por seguir as regras da Federação Internacional de Motociclismo (FIM).

Se até no Motocross – a menina dos olhos da CBM – temos visto problemas, o Enduro Fim navega em céus de brigadeiro, sem turbulências. Fruto de um trabalho sério e comprometido do Diretor da modalidade na CBM, Maurício Brandão, e dos diversos organizadores pelo país. Sim, porque o próprio Maurício faz questão de dividir o mérito com os organizadores. Segundo ele, se não fosse o empenho e a busca constante pela evolução, praticados pelos vários organizadores espalhados pelo país, o Enduro não teria se consolidado.

Maurício Brandão sempre percorre o trajeto das provas

Maurício Brandão sempre percorre o trajeto das provas

Analisando o crescimento da modalidade, podemos citar de maneira objetiva alguns fatos que contribuem para o sucesso alcançado até aqui. O primeiro e mais importante é o empenho do Diretor de Enduro FIM da CBM, Maurício Brandão, que tem sido incansável nessa luta, que tem sido constante, mas ao contrário do que parece, não tem sido fácil. Maurício está presente em todas as etapas do campeonato brasileiro. Acompanha tudo de perto e procura ouvir todos os envolvidos: organizadores, pilotos, patrocinadores, imprensa. Conversei muito com ele este ano e pude ouvir muito dos seus sonhos e planos – alguns, inclusive, já concretizados e outros em vias de se concretizar, como uma prova do Mundial de Enduro no Brasil. As críticas e sugestões são sempre observadas e analisadas por ele, nunca ignoradas. Outro fator preponderante é que ele procura sempre percorrer todo o trajeto das provas e acompanha de perto a apuração, verificando, in loco, a parte técnica da prova para que tudo saia sempre dentro da mais absoluta normalidade e transparência.

Outro fator que há de se ressaltar é que a busca pela evolução tem sido uma obsessão. Para isso tem procurado trazer do exterior as experiências que são sucesso. No início do ano esteve na Europa acompanhando as provas de Portugal e Espanha, junto com alguns pilotos brasileiros que participaram das provas.

Equipe P3 Racing

Equipe P3 Racing

Hoje no Brasil temos equipes fortes disputando a modalidade, com patrocínio maciço de grandes empresas e marcas, além de estrangeiros participando do campeonato nacional e, com isso, melhorando de maneira vísivel a divulgação do esporte e o nível técnico dos brasileiros.

Voltando à atuação dos organizadores locais, esse é um detalhe que Maurício faz questão de frisar, o comprometimento dos mesmos em cada etapa. Este ano pude acompanhar de perto a prova do Brasileiro em Aracruz. Fiquei impressionado com o nível de organização da etapa, organizada pelo Trail Clube Tribo da Trilha. E tem sido assim em todas as provas do brasileiro. Atenção não só na parte técnica da prova, como também com a cenografia e os vários detalhes da organização.

Maurício Brandão lembra também uma parte importante do esporte: “O Enduro tem crescido consistentemente por ser uma modalidade fantástica que une a exposição dos pilotos e a perícia de cada um. O público pode acompanhar de perto a atuação dos pilotos nas provas” . E completa falando da participação dos pilotos estrangeiros no campeonato nacional: “O esporte tem se consolidado graças a seriedade e compromisso da Diretoria de Enduro da CBM e o comprometimento dos organizadores locais de cada etapa. Isto gerou o interesse de mais pilotos, inclusive de estrangeiros, o que certamente alavancou positivamente tanto a divulgação como a evolução técnica. Agora, para um futuro imediato, nos cabe dar continuidade a esta evolução que a modalidade precisa.”

Telão

Aloisio Telão Sfalsim, presidente do Trail Clube Tribo da Trilha

Aloisio Telão Sfalsim, presidente do Tribo da Trilha, comenta que o fortalecimento da modalidade é fruto de um trabalho sério que vem sendo feito. E complementa que quando se organiza um campeonato com amor, capricho e respeitando a opinião dos pilotos, a tendência natural é crescer. Perguntado sobre o que poderia melhorar nas provas, disse que um sistema de apuração de prova mais moderno, ajudaria bastante na organização. Porque hoje o sistema é de fotocélula, com isso é preciso mobilizar pessoas pra trabalharem nas especiais, sendo que essas pessoas poderiam estar participando da prova. “Quanto menos pessoas envolvidas, mais pilotos disponíveis para correr as provas. Creio que o ideal seria a implementação de transponders no lugar do sistema atual, de fotocélula. Quem sabe a CBM poderia ajudar nisso e arcar com os custos desse sistema? Ajudaria demais o esporte e os organizadores, que já tem custos muito elevados para conseguir organizar uma prova de alto nível.” Telão fala também da participação dos pilotos estrangeiros no campeonato. “A participação dos gringos deu uma maior visibilidade. O ideal seria mantê-los para o ano que vem, ou quem sabe, trazer mais pilotos de fora, porque, além de ser um atrativo para o campeonato, nossos pilotos podem evoluir muito com esse intercâmbio.”

O desafio agora é manter o crescimento da modalidade, que já está consolidada, mas que tem um trabalho constante na luta por sua evolução. O Diretor da CBM sabe disso e sabe também o que precisa ser feito.

Mauricio Brandão, Diretor de Enduro da CBM - foto Marcelo Campos

Mauricio Brandão, Diretor de Enduro da CBM – Foto: Marcelo Campos

“Com o fortalecimento da modalidade, já conseguimos atrair grandes empresas que estão patrocinando os pilotos. A luta agora é para conseguir agregar parceiros e patrocinadores para o Campeonato Brasileiro também. Temos muitos planos para o futuro, que são a concretização de muitos sonhos. A etapa do Mundial é hoje uma realidade. Junto com isto, tenho a convicção que conseguiremos os patrocinadores para a necessidade que o campeonato tem de uma cronometragem com parciais on line. Hoje ela é precisa e confiável, mas tem de ser on line devido ao nível elevado de competitividade que o campeonato e os pilotos atingiram. Precisamos também de mais exposição e de um padrão cenográfico para todas as corridas. Este pacote de necessidades só é viável através do apoio de parceiros e patrocinadores. Tenho convicção que o Enduro Brasileiro está preparado para isto”.

O Zanol Team, capitaneado pelo experiente Felipe Zanol, conta com a presença do português Luis Oliveira que lidera o campeonato

O Zanol Team, capitaneado pelo experiente Felipe Zanol, conta com a presença do português Luis Oliveira que lidera o campeonato

Voltando a falar da evolução do esporte, a etapa final do Campeonato Brasileiro deste ano será válida também pelo Campeonato Iberoamericano de Enduro. Será um aquecimento pro Mundial e uma grande oportunidade dos pilotos conhecerem as trilhas da região de Patrocínio, já que no ano que vem estão confirmadas duas etapas do Campeonato Mundial de Enduro nas terras tupiniquins, nos dias 11 e 12 de Abril, na cidade de Patrocínio. Uma boa oportunidade dos pilotos brasileiros medirem força, em casa, com os melhores do mundo. E uma oportunidade melhor ainda para o apaixonado pelo esporte ver de perto a atuação de grandes pilotos. Esse sonho de uma etapa do Mundial aqui em nossas terras é antigo, uma luta de muito tempo do Diretor de Enduro, que, depois de muito trabalho, conseguiu viabilizar.

O francês Adrien Metge disputa a temporada no Brasil

O francês Adrien Metge disputa a temporada no Brasil

Claro que os avanços da modalidade não estão atrelados apenas a atuação do seu Diretor. Como ele mesmo frisa, é uma soma de esforços de várias partes. Mas temos que lembrar que Mauricio é piloto, pai de piloto, gestor, dirigente e organizador de provas. E quando se tem uma pessoa que tem capacidade técnica e de gestão à frente, conhecendo a fundo como organizar os eventos e o que as diversas partes necessitam – pilotos, patrocinadores, imprensa, público, etc – fica mais fácil de se conduzir as coisas.

Quem observa o esporte como um todo, com mais sensibilidade – e agora não falo aqui só do Enduro FIM, mas de todas as modalidades -, percebe que ainda temos problemas estruturais gritantes. Mas, comparando nos últimos tempos o Enduro FIM e as demais modalidades, percebemos claramente que dá para fazer melhor. Mas é preciso fazer diferente, ousar. A luta para mudar e melhorar o esporte é árdua e tem muitas facetas, dentro e fora das competições. Mas é um caminho possível de se percorrer.

Algumas fotos da prova de Aracruz/ES:

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