Em uma etapa rápida e sem problemas entre Córdoba e Buenos Aires, na Argentina, o português Hélder Rodrigues completou a última especial do Rally Dakar com o primeiro melhor tempo, 1h43min37 após a largada. Atrás dele, Pal Anders Ullevalseter, Ciryl Despres, Jordi Viladoms e David Casteau finalizaram o dia, porém nada que tirasse do sexto colocado na 14ª especial o título do maior rali do mundo. O espanhol Marc Coma já era líder com sua moto número 2 com mais de 1h25 para o segundo colocado e não houve piloto que desbancasse a vantagem que ele adquiriu ao longo de uma das edições mais difíceis da história do Dakar, o que deu a ele o bicampeonato do rali.”Tantos dias de competição, tanto trabalho.. estou muito feliz”, declarou ele após o término na 14ª especial da prova, em Buenos Aires. “Foi uma competição bastante complicada. Não conhecíamos o terreno e por isso era difícil definir a tática. Quero agradecer toda a minha equipe, que realizou um trabalho fantástico. Há muitas pessoas trabalhando nos bastidores que também merecem a vitória. Quero saborear este momento”, declarou o bicampeão.
Os bons resultados e as vitórias em algumas etapas deram a Cyril Despres, campeão da última edição da prova, a segunda posição do Dakar 2009. Ele, que correu esta edição com a moto número 1, de campeão, voltará em 2010 com o número do atual vencedor. David Frétigné, David Casteau e Helder Rodrigues garantiram a terceira, quarta e quita posições, respectivamente, ao fim da competição.
“Foi bem rápido, sem truques, navegação, mas a prova Latino-Americana terminou. Seria complicado para mim terminar a competição pior do que comecei. Não tenho muito a lamentar”, analisou Despres sobre a última etapa.
Histórico - Marc Coma venceu em 2009 seu segundo Dakar. Após estrear no maior rali do mundo em 2002, quando garantiu a 4ª colocação, ele alcançou seu primeiro título em 2006, na prova africana. A última edição da prova, em 2007, terminou mais cedo para ele, que após vencer três especiais, deu adeus à prova após um acidente.
Este ano, na Argentina e Chile, ele manteve a liderança desde a primeira etapa, quando venceu a especial. Depois disso, apenas mais 2 vitórias, na 3ª e 4ª etapas, mas a vantagem aberta desde o início impediu que qualquer outro competidor tirasse dele o posto de primeiro colocado durante o rali.

Zé Hélio conseguiu o 3º lugar na sua categoria e 12º lugar geral em sua 1ª participação no maior Rally do mundo
Zé Hélio - O dia foi de destaque também para o brasileiro Zé Hélio, que largou em sua melhor posição: a sétima. Ele administrou bem seu tempo no trecho cronometrado e cravou o tempo de 1h54min33, perdendo posições no final e garantindo a 16ª posição do dia. Zé termina seu primeiro Dakar na 12ª colocação.
Zé Hélio batalhou para estar no Rally Dakar. Após o cancelamento da edição de 2008, ele buscou o melhor resultado que pode na prova sul-americana do rali e cravou seu nome da 12ª posição na classificação geral após 14 etapas entre Argentina e Chile.”Não consegui nem parar na chegada de tanto que eu chorava. Desde que eu conheci o off-road e o Dakar, sonhava em estar aqui e realizei este sonho, e ainda consegui a 3ª colocação na minha categoria, a 450″, contou emocionado após terminar a especial deste sábado (17).
Zé pondera que esta primeira participação foi um aprendizado para oportunidades futuras. Aos 29 anos, ele não teve problemas com seu equipamento e justifica seus erros durante o rali como inexperiência própria na competição. “Se eu conseguir fazer um outro Dakar, vou voltar melhor que desta vez”. O piloto declarou ainda que o Road book da prova não é tão preciso quanto os das provas brasileiras. “Isso nos obriga a prestar mais atenção na pista, diferente de como é no Brasil. O ritmo do Dakar é diferente, mesmo. É uma prova longa, que não dá para mudar certas coisas em um dia”, explicou.
E a realização do sonho tem um gosto ainda melhor quando Zé Hélio lembra que durante todos os dias, andou dentre os melhores pilotos e mais experientes no Dakar, como Jordi Viladoms, Cyril Despres, Marc Coma, David Frétigné. “A prova mais dura do mundo, pra mim, não foi nem um pouco dura, foi muito prazerosa. Muita gente me disse que o Dakar não tinha prazer nenhum, que era muito chato, mas para mim foi prazer o tempo todo”, declarou.
Equipe por um sonho - A equipe Zé e Os Caras, o time de Zé Hélio, é composta somente por voluntários, unidos pela paixão do off-road. Formada em 2003, a equipe parece ser o amuleto do piloto. “Desde que a equipe se formou, eu termino todas as provas que eu participo, e mais ainda, eu fico em todos os pódios que disputo”, declarou.
“Esse meu sonho só foi possibilitado graças à Honda do Brasil. Todos aqui são movidos pela paixão. Os caras estão aqui por mim, e eu estou aqui por eles”, falou Zé Hélio, que só pensa em chegar em Trancoso, na Bahia, para encontrar sua família, da qual ele está longe desde dezembro.
Rodolpho Mattheis vence o Dakar na categoria Marathon e faz deslocamento chorando
Em sua primeira participação no Rally Dakar, Rodolpho Mattheis, de 26 anos, só tem o que comemorar. O brasileiro terminou em primeiro na sua categoria (Marathon) e em 31º na classificação geral, com 65h54min06 de prova.”É indescritível chegar à Buenos Aires e saber que ganhei na categoria, estou muito feliz e realizado. Fiz uma belíssima corrida, soube administrar todos os dias e soube ter paciência, atacar na hora certa e acho que aprendi muito com esse rali para o meu dia-a-dia. Vai demorar um tempo para a ficha cair”, disse o piloto na chegada à capital argentina. “Não tinha e menor idéia que poderia ganhar na categoria e achava que, se tudo acontecesse direitinho, dava para ficar entre os 50. Para o primeiro Dakar foi muito positivo”, disse.
Mais do que felicidade, o piloto extravasou toda a alegria nos mais de 300 quilômetros de deslocamento até Buenos Aires. “Se eu falar a verdade vão me ‘zuar’, mas vim chorando o caminho inteiro. Nunca chorei tanto. Acho que foi a emoção, misturada com tudo”, relata. “E fiquei impressionado como os argentinos são carismáticos, pois tinha gente em todo o caminho, do fim da especial até aqui. Nunca vi tanta gente na minha vida”, lembra ele.
Luta e determinação - Integrando a equipe Petrobras/ Lubrax há pouco mais de um ano, o piloto não fez uma boa temporada em 2008 nas provas nacionais, mas revela ter aprendido muito coisa com essa edição do Rally Dakar. “O principal é a paciência e o querer. Tem que querer para conseguir. Para chegar onde cheguei e poder entrar na equipe tive que abrir mão de muitas coisas na minha vida. Mas tudo o que eu plantei no passado, estou colhendo agora. É uma satisfação enorme. Só tenho que agradecer a confiança do André e Jean (Azevedo) por ter me deixado na equipe. Me sinto com a cabeça no lugar e acho que sou outra pessoa depois desse Dakar”, comenta Mattheis.


Escrito por Supertrilha.com.br
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